quinta-feira, 27 de maio de 2010

Alienação

O conceito de alienação - Leôncio Basbaun
Fonte:
Fragmento retirado do livro Alienação e Humanismo, de Leôncio Basbaum, Símbolo, São Paulo, 1977, pp. 17, 24-26. 1ª ed, Fulgor, São Paulo, 1967.



A alienação é, antes de tudo, uma forma de relação entre os homens e determinados objetos ou coisas que lhes são exteriores. Essa forma de relação não é natural. Ela surge em um determinado momento, no processo do desenvolvimento histórico das sociedades humanas. Embora esse desenvolvimento seja criação e exteriorização dele próprio, o homem é profundamente afetado pelo processo: aliena-se.
O termo alienação, originariamente – e ainda hoje – era um termo da Psiquiatria que designava uma forma de perturbação mental, como a esquizofrenia – uma perda de consciência ou de identidade pessoal... Do ponto de vista econômico-social, é a perda da consciência de si, em virtude de uma situação concreta. O homem perde sua consciência pessoal, sua identidade e personalidade, o0 que vale dizer, sua vontade é esmagada pela consciência de outro, ou pela consciência social – a consciência do grupo. É uma forma de para-consciência, ou seja, uma consciência particular incompleta, pela qual o homem perde parcial ou totalmente sua capacidade de decisão. É ainda sua integração absoluta no grupo: ele massifica, passa a pertencer à massa e não a si mesmo.
Diz-se ainda que o homem está alienado quando deixa de ser seu próprio objeto para se tornar objeto de outro. Deixa de ser algo para si mesmo. Sua vontade é assim a vontade do outro: ele é coisificado. Deixa de ser homem, criatura consciente e capaz de tomar decisões, para se tornar coisa, objeto.
Com o advento da máquina, o trabalhotornou-se duplamente alienante: à maquina e ao dono da máquina. No período em que vigorava ainda i regime de trocas, o homem, para suprir suas necessidades elementares, devia produzir não apenas aquilo de que necessitava, mas também as necessidades do outro, para qual ele era por sua vez o outro. Era ao mesmo tempo sujeito e objeto. Poderíamos dizer que se tratava de uma alienação parcial.
A introdução da máquina no sistema de produção subverteu totalmente esta situação. A máquina tem esta particularidade: substitui com eficiência o esforço físico humano, mas não dispensa o homem: é sempre necessário para movimentá-la, fazê-la andar corretamente e detê-la no momento preciso.
O homem se torna parte dela, como um parafuso ou uma engrenagem. Não é o homem que produz, é a máquina. O homem limita-se a fazê-la funcionar. O aperfeiçoamento das máquinas, à medida que reduz o esforço físico do homem, mais reduz sua participação e, em consequência, mais reduz sua intervenção consciente no trabalho. A máquina moderna dispensa a inteligência e a consciência humana, e o anula como homem. Este se torna uma peça de engrenagem cada vez mais insignificante
Nesse sistema mecanizado de produção, o homem não mais produz o que quer. Limita-se a fazer a máquina funcionar. Ignora o destino do seu produto, que não lhe pertence e, quase sempre, nem sabe mesmo para que serve. Recebe apenas um salário em troca da sua força de trabalho, o qual lhe permite recuperar as energias gastas, recompor seu organismo, para que amanhã possa novamente vende-las ao dono da máquina. Ele se coisifica, anula-se nesse processo: é uma máquina, ou um apêndice da máquina, uma estranha máquina cujo óleo combustível é constituído de proteínas. Não é mais um homem com capacidade de pensar, agir, tomar decisões. É apenas uma peça de engrenagem que, quando gasta pelo uso, pode ser substituída.
Para o dono da máquina, ele não passa disso mesmo: uma peça da máquina que deve ser lubrificada diariamente. Não, é claro, com os mesmos cuidados, pois uma máquina custa dinheiro enquanto o homem nada custa: se adoece ou morre,é facilmente substituído pelo exército industrial de reserva, a percentagem fixa de desempregados em cada nação capitalista que impede a luta dos salários.
Assim, o homem, assalariado pelas circunstâncias, não mais se pertence. Como parte da máquina, pertence ao patrão. Sua atividade tornou-se inconsciente e irracional e tanto mais quanto mais se aperfeiçoa a máquina: tornou-se um objeto que nem sequer necessita pensar.
E isso vale não apenas para a fábrica mas para toda atividade humana nesse processo de mecanização crescente que é o sistema capitalista de produção: o datilógrafo diante de sua máquina de escrever, o contador diante de sua máquina de calcular. Num caso, como noutro, o produto não é determinado pelo homem que trabalha mas pelo dono da máquina.
O ‘amor ao trabalho’ transforma-se numa expressão hipócrita cínica, pois nada significa e não tem outro objetivo senão condicionar o homem, desumanizando-o, tirando-lhe a capacidade de optar em sua vida. Como pode amar o trabalho uma pessoa que passa 8 ou 10 horas por dia apertando o mesmo pedal ou mesmo o botão, ou escrevendo ‘prezado Sr.’ Mil vezes por dia? Nessas condições o trabalho torna-se realmente maldição, e essa maldição, esse trabalho maldito, é obra do capital, da propriedade privada.



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Augusto Comte e Emile Durkheim

Segue abaixo uma ótima ferramenta para se trabalhar em sala de aula: o SoCult!

O material foi genialmente criado por nossa grande amiga e gentilmente cedido por ela mesma, Paula Cristina de Melo Viana, aluna do 4° ano do curso de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina.
Esperamos que vocês se utilizem da melhor maneira possível este material para que se mantenham os créditos à ela reservados!
Valeu pela força, xuxu!



Globalização e Neoliberalismo




Eu, etiqueta ( Carlos Drummond de Andrade – 1984)

Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório. Um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nessa vida, em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produtos que nunca experimentei, mas são comunicados a meus pés. Meu tênis é proclama colorido de alguma coisa não provada por este provador de longa idade. Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro, Minha gravata e cinto e escova e pente, meu copo, minha xícara, minha toalha de banho e sabonete, meu isso, meu aquilo. Desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidências. Costume, hábito, permência, indispensabilidade, e fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim mesmo, ser pensante sentinte e solitário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, invencível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro. Em língua nacional ou em qualquer língua (Qualquer principalmente.) E nisto me comparo, tiro glória de minha anulação. Não sou - vê lá - anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago para anunciar, para vender em bares festas praias pérgulas piscinas, e bem à vista exibo esta etiqueta global no corpo que desiste de ser veste e sandália de uma essência tão viva, independente, que moda ou suborno algum a compromete. Onde terei jogado fora meu gosto e capacidade de escolher, minhas idiossincrasias tão pessoais, tão minhas que no rosto se espelhavam e cada gesto, cada olhar cada vinco da roupa sou gravado de forma universal, saio da estamparia, não de casa, da vitrine me tiram, recolocam, objeto pulsante mas objeto que se oferece como signo dos outros objetos estáticos, tarifados. Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é Coisa. Eu sou a Coisa, coisamente.


** Vídeos **

Papai Noel Globalizado:




Parte do documentário "SICKO" do diretor Michael Moore sobre o sistema de saúde norte-americano, que é totalmente privatizado (pode ilustrar a explicação sobre Neoliberalismo):


Indicação de programa para baixar vídeos (!)

Olá!!
Para quem tem o privilégio de utilizar a TV Pen-Drive em sala de aula (no estado do Paraná há uma tv dessa em cada sala de aula, o que auxilia muito na exposição ou ilustração dos conteúdos), segue uma dica para baixar vídeos do you tube.
Para expor os slides do power point, por exemplo, você deve salvar o arquivo no formato JPEG.

Tem um programa super fácil de usar para baixar os vídeos do youtube. Basta acessar o site: www.baixaqui.com.br e procurar pelo programa VDOWNLOADER 1.0 .

Este programa baixa os vídeos no formato quer você escolher (e são várias opções que existem!) e bem funcional (basta copiar o link do vídeo e colocar no espaço onde o programa pede o link). O formato compatível para a tv pen-drive que eu consegui utilizar é o MPEG.

Para quem não encontrar aqui vai o link do site para baixar o programa: http://www.baixaki.com.br/download/vdownloader.htm

Bom proveito, moçada!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ideologia

Segue abaixo alguns materiais que eu utilizei para a aula de Ideologia.



Sugestão de Texto para reflexão, debate ou trabalho em sala de aula:

O mundo econômico, os governos, as instituições e a sociedade não podem mais aceitar ou permitir todas as tentativas que vêm sendo feitas de separação entre o econômico e o social. Separar um do outro é deixar o real com o econômico o utópico com o social. Esta é uma separação que inclui no mundo da economia a produção de bens materiais, mas faz com que a dimensão social desta mesma produção fique restrita a consequência. Nesta divisão, fica combinado que o Desenvolvimento é econômico e a pobreza é social. A divisão é de um simplismo admirável, mas de uma força ideológica impressionante. Quando entram na fábrica, os trabalhadores são fatores econômicos. Quando saem, são problemas sociais. Quando definem seus orçamentos, os governos são atores econômicos, quando tratam de saúde e educação, os governos são incompetentes sociais sem recursos, verbas e responsabilidades. A sociedade moderna dissociou a produção do emprego. Isso só faz aprofundar o abismo entre os integrados e os marginalizados. É imperativo encontrar o caminho do emprego. Sem emprego, não haverá humanidade para todos. A tecnologia não pode se transformar na racionalidade do novo apartheid mundial. O desenvolvimento humano, é de todos ou não existe. É imperativo dar ao desenvolvimento esta dimensão universal.
Betinho


** Algumas sugestões de vídeos que podem ser utilizadas **


A Ideologia dos desenhos animados na 2ª Guerra Mundial:



Reportagem sobre consumismo Infantil:



Trailer do documentário: "Criança, a alma do negócio".



"Education for Death (em português: Educação para a morte) é um curta-metragem de animação produzido pelos Estúdios Disney e originalmente lançado em 15 de janeiro de 1943 pela RKO Pictures nos cinemas estado-unidenses. Foi dirigido pelo ítalo-americano Clyde Geronimi e é baseado no livro Education for Death: The Making of the Nazi (Educação para a morte: a construção dos nazistas) de Gregor Ziemer. A capa do livro aparece no início do curta."

Sejam Bem Vindos!

Olá a tod@s!!

O blog surgiu a partir do interesse de alguns alunos de sociologia em compartilhar suas experiências em sala de aula. Ou seja, ele foi criado com o intuito de socializar práticas e materiais didáticos em relação ao ensino de sociologia.
Todos sabemos as dificuldades que o professor enfrenta diariamente em sala de aula. A busca de instrumentos que facilitem a compreensão do conteúdo por parte do aluno é constante, uma vez que competimos com os meios de comunicação de massa (Tv, internet, etc.) cada vez mais presentes em nossa vida.
Portanto, seria muito interessante compartilharmos desses meios para um ensino com mais qualidade para que o aluno se identifique e apreenda da melhor forma o conteúdo ministrado em aula.